LEDs, tecnologia traz corte radical de emissões

LEDs, tecnologia traz corte radical de emissões

Elizabeth Rosenthal e Felicity Barringer escreveram “Green promise seen in switch to LED lightining” (Troca por iluminação a LED é vista como promessa verde) para o jornal de Nova Iorque. A reportagem relata experiências em andamento de troca de lâmpadas convencionais — fluorescentes ou incandescentes — por LEDs, abreviatura em inglês para diodos emissores de luz, já amplamente utilizados, por exemplo, em painéis luminosos ao ar livre e em semáforos.

A iluminação, contam as jornalistas, responde por 6% do consumo de energia nos EUA; há cálculos de que, em 20 anos, a transição para lâmpadas de LEDs poderá representar um corte de mais de 50% nas emissões vindas daí. Elas citam um relatório da consultoria McKinsey and Company que classifica a conversão para iluminação por LEDs como “potencialmente a mais efetiva do ponto de vista de custo de um grupo de medidas simples para enfrentar o aquecimento global usando tecnologias já existentes”. Os LEDs estão em uso, nos exemplos citados pela matéria, no Palácio de Buckingham, nas ruas da cidade de Ann Arbor, no Estado de Michigan, “em um corredor do Pentágono e em um novo edifício verde em Stanford”.

Em relação às lâmpadas fluorescentes, continuam as jornalistas, os LEDs são duas vezes mais eficientes. Outra vantagem que a reportagem apresenta é o fato de não conterem elementos tóxicos — as fluorescentes contêm mercúrio, o que torna seu descarte problemático. Por outro lado, os LEDs duram tanto que o descarte não será uma questão.

O plano de estímulo à economia do governo Obama vai acelerar o passo da transição, segundo especialistas ouvidos pelo jornal. A cidade de San Jose, na Califórnia, pretende usar US$ 2 milhões de estímulo para aumento da eficiência no uso de energia para instalar 1,5 mil lâmpadas de LED nas ruas. Outro indício da velocidade da transição é o fato de empresas como a General Eletric e a Phillips terem começado a fabricar LEDs. As vendas da indústria, segundo outra empresa de consultoria mencionada pela reportagem, devem chegar perto de US$ 1 bilhão em 2013, contra US$ 297 milhões em 2007.

Dificuldades

Custo será um problema para a adoção dos LEDs por consumidores domésticos. Para eles, serão necessários de cinco a dez anos para amortizar o investimento na transição. O texto conta que uma lâmpada comum, hoje, custa US$ 7 nos EUA; uma lâmpada de LED, para iluminação externa, sai por US$ 100. Outra dificuldade é o fato de os LEDs fornecerem luz unidirecional, enquanto lâmpadas convencionais emitem luz em todas as direções. Assim, os LEDs são bons para iluminar ruas, a partir do alto; mas não são bons para ser usados, por exemplo, em um abajur.

Não é só: segundo a reportagem, “a corrida para fazer lâmpadas de LED mais baratas” pode trazer ao mercado produtos de baixa qualidade e que tenham como resultado o descrédito da tecnologia. As jornalistas descrevem brevemente a física dos LEDs: contam que os diodos são “minúsculos sanduíches de dois materiais diferentes que emitem luz quando elétrons saltam de um para outro”. Elas observam que, se as lâmpadas de LED não forem cuidadosamente desenhadas, o calor pode danificá-las e reduzir seu tempo de vida “de décadas para meses”.

No escritório da organização ambiental britânica Low Carbon Trust, descobriram as repórteres, LEDs utilizados há três anos em 12 pontos de luz foram substituídos por lâmpadas convencionais. A razão: a luz dos LEDs não era “suficientemente brilhante”, de acordo com um gerente da Low Carbon. A implantação de LEDs nas ruas também deve ser feita com cuidado pelos municípios, sugere um jornalista especializado, “para evitar desapontamento ou desastres”.

Soluções

Há muitos avanços científicos na área, informa o texto do New York Times; avanços que solucionam os defeitos apresentados até aqui. O preço está caindo e a qualidade da luz aproxima-se da necessária para iluminar casas e ruas. O texto cita, como exemplo, a busca pela substituição da safira, hoje utilizada como matéria-prima em LEDs, por pastilhas de silício, muito mais baratas. Outro desenvolvimento tecnológico é a capacidade de fabricar LEDs que emitem luz azul, enquanto os primeiros LEDs só emitiam luz verde ou vermelha; os LEDs azuis “podem ser manipulados para simular a luz de lâmpadas incandescentes”.

Um dos autores do relatório da consultoria McKinsey, John Creyts, declarou às jornalistas que a tecnologia dos LEDs está “em curva rápida de aprendizado”; ele prevê que seu uso corrente se dê em cinco anos.

Na vida real

Além de Toronto (no Canadá), Ann Arbour (nos EUA), Tianjin (na China) e Torraca (na Itália), três grandes cidades da Califórnia começaram um processo de conversão para LEDs: Los Angeles, com 140 mil lâmpadas de rua; San Jose, com 62 mil lâmpadas; e São Francisco, com 30 mil.

Ann Arbour, a primeira a adotar a tecnologia, pagou US$ 515 por ponto de LED. A municipalidade calcula que recuperará o investimento em quatro anos e quatro meses, com a redução de custos de manutenção e do consumo de energia. “Pelo fato de a luz dos LEDs poder ser modulada”, conta a reportagem, “em Ann Arbour elas foram programadas (…) para se tornar mais brilhantes quando alguém passa por baixo de uma lâmpada ou para piscar do lado de fora de uma casa para guiar paramédicos em uma emergência”. Outra vantagem para a cidade: por não emitir luz ultravioleta, os LEDs não atraem insetos. Em Raleigh, outra cidade dos EUA a instalar LEDs em alguns lugares, os moradores aprovaram a mudança pelo fato de a luz da rua — unidirecional — não incomodar no interior das casas.

Uma cadeia de hotéis que utiliza LEDs em salas de conferência relatou ao jornal que os LEDs consomem 10% da energia gasta com as lâmpadas fluorescentes substituídas; além disso, uma lâmpada fluorescente dura 3 mil horas, enquanto uma luz de LED, mais de 100 mil horas. (M.T.)

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